"Imagine you are falling. But there is no ground." — Hito Steyerl
Latence é uma descida única e contínua em direção a uma imagem. Dura trinta minutos e nunca chega ao fim.
Sempre que a imagem se deveria definir — aquele momento em que o detalhe revela finalmente o objeto —, isso não acontece: gera mais litoral. A fotografia transforma-se em grão, o grão transforma-se em cristal, o cristal transforma-se em ruído, e o ruído acaba por se revelar uma outra paisagem. James Bridle chama a esta condição apofenia: mais dados, menos compreensão. Medir uma linha de costa não a encurta.
A perspectiva linear pressupõe um espectador imóvel e um horizonte estável. O espaço latente não oferece nenhum dos dois. Inspirados pelo conceito situacionista de dérive — uma viagem não planeada por uma paisagem, "uma técnica de passagem rápida por ambientes variados" —, exploramos os recantos desconhecidos da Inteligência Artificial para, de seguida, nos reencontrarmos.
Dois performers, duas máquinas, um *loop*.
Nenhum de nós decide sozinho para onde ir a seguir.
Um percurso de trinta minutos em direcção a uma imagem que nunca se define.